Costanza Pascolato: estilo criativo de decorar... e viver

Costanza Pascolato, que assina a curadoria da coleção que comemora nosso primeiro milhão de seguidores no Instagram, aproveitou os últimos meses para aprofundar sua relação com a casa, explorando ao máximos seus ambientes e possibilidades

Costanza Pascolato, curadoria Costanza, casa conectada | westwing.com.br

 “Não há nenhum canto inútil.” Foi essa a descoberta feita por Costanza Pascolato depois de incontáveis dias em casa durante a pandemia. A consultora de moda aproveitou o período sem suas constantes viagens mundo afora para aprofundar a relação com a morada paulistana – que ela chama de “ninho”.

 Aos 81 anos, Costanza conseguiu manter vivo seu olhar moderno para o cotidiano e aprendeu a utilizar as infinitas possibilidades de cada ambiente. “Vivida por inteiro, a casa ganha alma. E esse uso mais variado e multifuncional não deixa que você se chateie com a ideia de fazer tudo igual todo dia.”

 Não à toa, a italiana que sabe misturar como ninguém peças herdadas e cheias de história com objetos contemporâneos foi escolhida para assinar a curadoria da campanha que marca nosso primeiro milhão de seguidores. A seguir, ela fala sobre o projeto, suas descobertas na própria casa e a importância de estar conectada – com suas devidas pausas – com o mundo lá fora.

Como era sua relação com a sua casa antes da pandemia?

Costanza Pascolato:  Eu viajava muito, o tempo todo, e só agora entendo melhor que a minha permanência em casa era sempre interrompida por essas saídas. Na verdade, antes a casa era o lugar para descansar, me alimentar, me cuidar, mas sempre parecendo estar de passagem. Já era o meu ninho – sempre foi –, mas ainda não tinha aprofundado essa relação como agora. 

Você aproveitou a casa como um todo?

CP: A casa inteira é toda interligada e gosto de ocupar os espaços de maneiras diferentes, mesmo quando parece “não combinar”. Por exemplo, fazer refeições diante de uma das janelas – que são portas­ – ou me exercitar e alongar usando um banco na sala de estar.  É uma casa conectada porque não tem espaços isolados – ou sem uso. Os ambientes são bem definidos e todos têm a mesma privacidade, mas eles se conectam e podem ser acessados e compartilhados muito naturalmente. Ao ficar mais tempo aqui, não só achei que a casa estava bem completa e confortável como também que dava para utilizar tudo, de várias formas.

Costanza Pascolato, curadoria Costanza, casa conectada | westwing.com.br

O que você passou a valorizar ainda mais na sua casa?

CP: O fato de não haver nenhum canto inútil. Há 31 cadeiras e distribuí-las não foi fácil. Mas posso me cansar – o que é bem incomum – em qualquer ambiente que vai ter um lugar para eu sentar.

Como você potencializou o uso da casa?

CP: Passei a morar em todos os cantos, dependendo da luz, da hora, da situação. Tanto que tenho várias dessas mesinhas que se encaixam, se sobrepõem, para uso múltiplo. Podem servir como coffee table, de apoio, mas são basicamente para serem levadas para qualquer lugar. Do século 18, elas pertenceram aos meus bisavós e depois à minha mãe, Gabriella Pascolato [1917-2010]. Coloco-as onde quero e o que é legal de um apartamento com janelas que são portas é que, diante delas, é como se eu estivesse em um terraço. Tem até passarinhos cantando. 

O que a sua casa diz sobre você?

CP: Que acolho respeitosamente todo o sentido e o legado cultural de móveis e objetos com as representações das épocas em que foram feitos. Não é que eu goste de todas as poltronas que estão aqui, mas sei o que elas significam. Se fosse para comprar, provavelmente não o faria. Mas elas vieram para mim e sempre significam alguma coisa. Eu comprei bem pouco do que está aqui, aliás. Isso é raríssimo – que as pessoas convivam, por herança, com peças da família, com séculos e séculos de história. E não é para ser esnobe. O fato é que esses móveis todos viveram com a família. Quando chamei minha amiga, a artista plástica Marilu Beer [1940-2019] para me ajudar a reorganizar a casa, ela pôs o coração na tarefa. E acho da maior delicadeza a escolha das cores, das paredes, de como ela respeitou o que eu queria.

Costanza Pascolato, curadoria Costanza, casa conectada | westwing.com.br

Como você mescla esses móveis e objetos herdados com outros mais contemporâneos?

CP: Minha casa tem um mix que vai do século 17 ao 19, convivendo numa boa com uma cadeira Bauhaus, luminárias dos anos de 1960 e também de agora, como a do Ingo Maurer. Mas não é que eu tenha ficado pensando isso combina com aquilo. Fomos distribuindo, Marilu e eu. Na verdade, fomos “vestindo” o espaço. Originalmente, não interessa se um estilo combina com o outro. Acho mais legal misturar a partir da vivência. Cada coisa significa uma coisa. Esse banquinho que uso para me exercitar é do século 19 e ficava aos pés da cama da minha mãe, em Roma, numa construção dos anos de 1940. E a Marilu revestiu com plástico dourado.

Você gosta de rotina?

CP: Preciso de rotina e percebo que ela é cada vez mais disciplinada. E sempre ritualizei o cotidiano. Pela manhã, não saio do quarto sem antes fazer exercícios de respiração, meditação e alongamento, que evitam uma série de dores. Gosto das refeições na hora certa, com uma alimentação bastante frugal. Outro compromisso diário é o da caminhada – na garagem do prédio –, que também ritualizo, sempre acelerando com música, especialmente no final da atividade. E gosto do ritual de me isolar um pouco do noticiário. Para uma pessoa interessada em tudo e curiosa como eu, isso também é uma questão de aprendizado. Ritualizo também essa “desconexão”, sobretudo depois que vi o documentário O dilema das redes, que me abriu os olhos para uma série de coisas que eu já não fazia e jamais farei.

Existe um ritual em torno das refeições?

CP: Faço refeições em lugares diferentes. Se eu estiver com pressa e atarefada, o café da manhã pode acontecer até no banheiro enquanto preparo o cabelo e a maquiagem, o que dura uma hora. O jantar, em geral, é no meu quarto, quando me recolho porque já terei abandonado os meus telefones no escritório. A partir das 20h30, eu não toco mais neles.

Costanza Pascolato, curadoria Costanza, casa conectada | westwing.com.br

Como você se manteve inspirada e atualizada na pandemia?

CP: Estar conectada é uma necessidade fundamental. Falo muito mais com as pessoas hoje do que falava antigamente. Como em todo período de grande revolução, até negativa, como são as pandemias e as guerras, tudo se transforma de maneira mais rápida e violenta. Para mim, que sou otimista e tenho lembranças de uma infância no pós-guerra, essas grandes catástrofes abrem espaços para novos pensamentos. Com certeza vai haver uma revolução de ideias entre os mais jovens. Ainda assim, é o humano que está em questão. Isso me mantém muito ligada porque preciso entender o contemporâneo para aconselhar meus netos, Cosimo e Allegra, que ainda têm que fazer a vida deles, e minhas filhas, que também precisam do meu apoio, mesmo que já realizadas. Se você não está bem, não pode ajudar o outro. Para mim, o núcleo familiar é fundamental.

Você usa a tecnologia para se manter em contato com a família e principalmente com os netos. É uma forma de acompanhar os millennials?

CP: Não. Toda a literatura de moda acaba antecipando comportamentos. E a gente saca coisas. Se você segue moda como eu há tantos anos, aprende a entender esses reflexos de comportamentos de época. Continuo me comunicando com os meus netos intensamente, mas não para ser mais jovem. É para estar mais próxima e eventualmente dar um apoio psicológico que precisam porque eles realmente têm, no dia a dia, momentos de inquietação com o futuro. Os pais ajudam, mas os avós têm mais intimidade para algumas questões.

Como foi a experiência de assinar uma curadoria para o Westwing?

CP. Foi divertido e novo. Nunca achei que tivesse jeito pra isso. Fiz um movimento radical de entrar no cotidiano do contemporâneo, de ver muitas coisas que nem sabia que existiam sendo comercializadas e fazendo sucesso por aí. E também entendi que a escolha daquilo que você coloca numa sala contemporânea hoje é muito menos formal do que era antigamente. Acho que é uma influência do Westwing. Você pode ter uma poltrona de um estilo aqui e outra coisa completamente diferente ali. Não é como se vê nas lojas de móveis.

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Vitória Torres

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