Rotina puxada? Leia o que Lua, mãe de 4 crianças, tem a dizer

A pernambucana Lua Barros é educadora parental, mãe de dois meninos e duas meninas e conta como tem sido a quarentena em família


Ela tem 38 anos, nasceu em Recife, já morou em São Paulo, buscou refúgio no interior de Minas e, hoje, vive com a família em um sítio em Brasília. Lua, o marido, Pedro Fonseca, 44 anos, e os quatro filhos (João, 11 anos; Irene, 7; Teresa, 6; e Joaquim, 2) passam os dias no gramado, com banho de esguicho, rede e casa na árvore, onde se descobrem, se desentendem e se reconectam. Faz pouco mais de seis meses que o casal levou o escritório para dentro de casa. “Essa dinâmica atual não é tão nova porque optamos por estar mais perto das crianças no fim do ano. Mas é novo porque os filhos estão em casa, e antes passavam o dia na escola!”, diz. “Muitos casais estão se vendo com mais intensidade e a gente já estava craque nisso”.

Há mais de 50 dias confinada, essa mãe que foi estudar disciplina positiva e as relações parentais antes da chegada do caçula e virou referência no assunto – ela dá cursos online, faz mentoria para casais e produz o podcast Dilemas, com Pedro –, relata para o Westwing como descobriu, um dia por vez, a conduzir a maternidade neste período e equilibrar (ou não) o cuidado com os filhos, o trabalho, a casa e o casamento.

Abrace a oscilação

“Fiquei muito irritada e frustrada no início por não conseguir trabalhar como vinha fazendo. Aos poucos, fui acalmando e me entregando à falta de controle, fui entendendo que o trabalho aconteceria em outro ritmo. E tudo bem. Parei de tentar controlar, de ter a vida de antes e senti que as coisas entraram num ritmo mais gostoso. Não dá para procurar equilíbrio em tempos de quarentena, temos que abraçar a oscilação. Pedro e eu somos muito parceiros, para ficar mais livre de manhã, café da manhã é com ele, almoço é comigo, jantar é com quem estiver mais disponível.” 

 

Não dê conta de tudo

“Tem uma pressão para manter as coisas equilibradas, mas o mundo está em desequilíbrio, por que me obrigar a ficar no equilíbrio? Equilíbrio, para mim, é chegar no fim do dia e as crianças estarem bem, não terem brigado. Ter quatro filhos é um privilégio, porque eles se têm. Mas tem horas que estressam, oscilam momentos tranquilos e outros difíceis. Preciso conseguir olhar para as necessidades emocionais deles e, para isso, tenho que abrir mão do meu trabalho, para ajudá-los a passar por isso.”

Trabalho em equipe

“O convite é ‘vamos olhar para o que é possível fazer neste momento?’ O ritmo pré-pandemia não cabe mais. Enquanto a gente estiver brigando para que as crianças não baguncem, sentem para assistir aula, não vamos conseguir. Decidi que a tentativa de manter tudo organizado não vai acontecer. Outro dia, achei dois copos dentro do meu closet! É incrível como eles se proliferam… Arrumo a cozinha uma vez no dia e chamo as crianças para arrumar junto. Não preciso não brigar o tempo inteiro para elas arrumarem a casa. Elas briiiiincam e depois guardam tudo. Uma vez só”.  

 

Me, myself & I

“Não vamos parar de sentir as angústias, mas podemos tentar equalizá-las. Encontrar o seu momento, seus rituais, pode ajudar. Eles precisam existir para lembrar quem somos, para organizar as ideias. E pode ser simples: um banho quente de manhã. Temos que estar centradas para navegar esse mar turbulento. E precisamos de disposição para ensinar aos filhos que esse espaço é importante, não existe um botão mágico, é uma construção.”

 

Hora da mamãe

“Preciso de 30 minutos de ioga, uma vela, um incenso e um banho. As crianças sabem que a ioga é a hora da mamãe. No começo, elas puxavam um tapetinho para perto, mas queriam conversar e eu quero ficar em silêncio. Fomos construindo esse espaço juntos. Se o Pedro já acordou, ele recolhe as crianças, somos muito parceiros. Se não consigo praticar de manhã, faço no final da tarde e vira uma atividade de todos.” 

 

Vamos juntas?

“É o momento das famílias se reconectarem, saber quem somos nesse ambiente. Acho que é um convite para as famílias reverem essas dinâmicas, onde a mãe é a principal cuidadora. A pandemia vem fazendo as pessoas terem conversas que deixavam para depois. A vida de antes não volta. Que possamos crescer nesse momento.”

 

Espia lá a rotina da Lua e das crianças no @luabarrosf

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Gabriella Mondroni

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