Êxodo urbano: um novo morar

Conheça a história de Bárbara e Bruno:  o casal que ressignificou a vida ao trocar Berlim por uma fazenda centenária no interior de São Paulo

Foto da família na varanda da fazenda Santa Esther: local que escolheram para morar com as duas filhas pequenas

“Vocês já pararam para pensar que as pessoas passam a vida inteira trabalhando para poder vir morar em um lugar como esse?” Aparentemente simples, essa pergunta mudou por completo a história de Bárbara Marra e Bruno Paschoal.

Era dezembro de 2015 e o casal, que na época morava em Berlim com a filha de 6 meses, passava férias na fazenda da família de Bruno, uma propriedade do século XIX localizada em Amparo. Batizada de Santa Esther, o local é mesmo um cenário dos sonhos para qualquer aposentadoria, como bem disse a tia de Bárbara em um almoço despretensioso.

A reflexão fez acender uma vontade antiga, que já tinha passado pelo imaginário de Bruno quando ele viajou para conhecer assentamentos rurais e ecovilas. Durante sua temporada na capital alemã, o advogado realizou uma pesquisa para o mestrado em políticas públicas, na qual buscava meios de trazer mais sustentabilidade para a reforma agrária.

“Na ecovila Piracanga, na Bahia, percebi que todas as famílias se mantinham com negócios on-line. Isso foi a primeira coisa que lembrei quando a tia da Bárbara me questionou sobre morar na fazenda”, relembra ele. 

(RE)COMEÇO

Mural de fotos: ao lado esquerdo, a entrada da casa da fazenda, ao meio Barbara com a filha caçula, à esquerda Bruno lê para a filha Teresa sentado em uma cadeira acapulco

“Vivíamos em um mundo de planejamentos e certezas e aqui aprendemos o quanto somos codependentes da natureza”, pontua Bárbara Marra 

Não demorou muito para que a família trocasse em definitivo o burburinho de Berlim pela tranquilidade da vida no campo. E, apesar da familiaridade com a fazenda, Bárbara e Bruno construíram uma nova relação com o local.

“O maior estranhamento foi em cima do suposto controle das coisas. Vivíamos em um mundo de planejamentos e certezas e aqui aprendemos o quanto somos codependentes da natureza. Você planta uma árvore, por exemplo, e ela vai demorar quatro anos para crescer.” conta Bárbara.

Aos poucos, com uma boa internet à disposição, foram moldando uma rotina que funcionasse para toda a família. Hoje, além de tocar projetos pessoais, administram uma série de eventos realizados na fazenda, como retiros, workshops e confraternizações de empresa.

E, para fazer valer a escolha ao máximo, os momentos ao ar livre estão sempre presentes, mesmo na hora do trabalho. “Ocupamos bastante os espaço externos… é um sonho realizado. Usamos, por exemplo, o pátio no interior da casa e a enorme varanda para o nosso home office, mas também para os aniversários e almoços de domingo”, explica Bárbara.

A rotina ainda inclui passeios diários com as duas filhas (Teresa, 5, e Maria Flor, 1) para ir à cachoeira, colher frutas no pé e improvisar piqueniques na grama à tarde. “Estamos construindo um habitat, um ecossistema… e buscamos trazer as pessoas que a gente ama para vir morar aqui, sendo uma base acolhedora não só espacial, mas também humana”, diz Bruno. Coincidência ou não, depois de uma pandemia, a história parece reunir exatamente o que todo mundo busca – e precisa. 

Foto da família no horizonte da fazenda que escolheram para morar, em que eles estão em uma frondosa árvore centenária

*Esta matéria faz parte da edição 01 da Revista Westwing. Para ler na íntegra a publicação, você pode acessar a versão online aqui, ou retirar o seu exemplar impresso na nossa loja física, na Vila Madalena, ou em um dos nossos quiosques.  Lembrando que a tiragem é limitada e sujeita a estoque.

 

Giulia Cirilo

Já conhece o nosso App?

Baixe agora

Baixe agora
Offline