Um papo com ela… Bela!

Sobre a potência dos alimentos, consciência e escolhas saudáveis

Por Gabriella Mondroni

Apresentadora, chef de cozinha, ativista e entusiasta declarada de uma vida mais saudável. Bela Gil inspira e dispensa grandes apresentações. Além de lançar o seu mais novo livro – o “Simplesmente Bela” – aqui no Westwing e preparar uma curadoria exclusiva com utensílios que simplificam a rotina, ela também contou pra gente quando nasceu sua conexão com os alimentos e a importância de um viver mais consciente. Confira agora o bate-papo! 

Bela Gil no Westwing | westwing.com.br

Westwing: Quando você passou a entender a potência e a importância do alimento como fonte de saúde e equilíbrio na nossa vida?

Bela Gil: Foi ainda na adolescência. Eu comecei a praticar yoga aos 14 anos e isso fez com que eu tivesse mais consciência sobre a minha a alimentação. Comecei a entender que ela tinha um impacto na minha saúde física e mental. Deixei de consumir produtos mega industrializados, açúcar, carne… e isso trouxe uma diferença muito grande no meu humor, no bem-estar geral e na própria prática. Alguns anos depois, fui estudar nutrição e culinária para poder entender como essa mágica acontecia dentro da gente. Eu vivi uma experiência muito transformadora e comecei a compartilhar isso. 

W.: De que forma a alimentação pode mudar o mundo? Você acredita nisso?  

B.G.: Acredito, com certeza. Existem muitas ferramentas que a gente consegue usar para transformar o mundo. A alimentação individual já tem grande impacto: se cada pessoa pensar em reduzir a carne ou ficar um dia sem comer alimentos processados, o mercado vai sentir a mudança – já percebemos grandes empresas mudando formulações e surfando na onda da sustentabilidade e de produtos orgânicos. A agricultura é responsável por 25% dos gases de efeito estufa e a pecuária chega a 51% de emissões de gases. A alimentação é central na sociedade e, por isso, ela também está no centro da mudança. 

Dicas Bela Gil, alimentação saudável | westwing.com.br

W.: O que você acha que falta para que as pessoas criem mais consciência do que elas comem? 

B.G.: O primeiro passo é o conhecimento: entender como o alimento impacta na nossa vida, no meio ambiente, na sociedade. Mas só isso não é o suficiente. É preciso que isso se torne acessível e possível para todos. Ok, alimentos ultra processados não são legais, mas… e se eu não tenho escolha? E se eu tenho pouco dinheiro para investir em um alimento saudável? O primeiro passo é o caminho, mas precisamos mudar a estrutura, com políticas públicas e mudanças mais estruturais, para que as pessoas coloquem o conhecimento em prática. 

W.: Você fala bastante sobre alternativas saudáveis e muito simples, que podem fazer a diferença na nossa rotina, como substituir o açúcar pela rapadura ou trocar o delivery por uma batata frita, preparada em casa, em um óleo melhor. Você teria outros exemplos práticos para compartilhar? 

B.G.: Tem aquela máxima clássica: desembale menos, descasque mais. Procure consumir alimentos frescos, inteiros e mais próximos da natureza. Outra dica boa: sabe aquelas bananas maduras que você sabe que não vai conseguir comer antes de estragar? Se você congelar, elas podem virar um sorvete, creme ou vitamina. E o açúcar você pode substituir por melado, mel, além da rapadura…

Bela Gil na cozinha | westwing.com.br

W.: O que você acha que poderia servir como um gatilho de transformação para quem deseja ter uma alimentação mais saudável, mas não consegue?

Para a pessoa que acha que pode estar postergando essa alimentação saudável, minha dica é: o melhor caminho é começar. Comece trocando o arroz branco pelo integral, fique um mês sem tomar refrigerantes, substitua os alimentos refinados… Não vislumbre uma alimentação 100% natural em uma semana e, sim, dê um passo de cada vez. 

W.: Na sua opinião, existe algum comportamento ou alimento que seja o grande – ou o maior – vilão da atualidade?  

Anos atrás, eu diria que o açúcar é a pior droga do século 21. Mas, quanto mais conheço esse assunto, mais profunda fica minha reflexão. Eu sempre cresci com a frase de que o veneno é a dose. Hoje acredito que quem faz do açúcar uma droga são as pessoas. Acho que o vilão, na verdade, é essa falta de oportunidade tão real no Brasil. 

W.: A quarentena fez com que as pessoas se aproximassem da cozinha e começassem a ter uma conexão maior com os alimentos. Você acredita que isso vai causar um impacto positivo no futuro?

B.G.: O mundo tem essa esquisitice de mudar sob ameaças grandes, né? Vejo que agora muita gente entendeu a importância da alimentação para o sistema imunológico. As pessoas estão consumindo mais frutas, verduras, cúrcuma, cesta de produtos orgânicos. Quando você compra direto do produtor, sem passar por mil intermediários, você tem também uma relação muito profunda com a natureza. Eu sempre falo para as pessoas que moram na cidade que a comida é o jeito que elas têm para se conectar com a terra, com o solo. Espero que as pessoas tenham se encantado e que não seja apenas um modismo.

Simplesmente Bela, novo livro Bela Gil | westwing.com.br

W.: No seu novo livro, o “Simplesmente Bela”, você traz receitas para todas as esferas da vida, baseadas em quatro pilares: nutrir, cuidar, curar e limpar. Você poderia nos contar um pouco sobre ele?

B.G.: Acho que o livro vem em um bom momento para as pessoas refletirem sobre os hábitos alimentares e os cuidados com a casa, corpo e mente. O primeiro capítulo é o NUTRIR, em que falo da relação da alimentação com o bem-estar, por meio de receitas simples e gostosas para fazer no dia a dia. O segundo é sobre CUIDAR do corpo e, nele, trago a minha melhor descoberta dos últimos tempos: meu desodorante natural, além de outras receitas de cosméticos que você pode fazer em casa com ingredientes acessíveis. Depois, vem o capítulo de CURAR, em que eu desejo resgatar a confiança no nosso corpo de se autorregenerar. São receitas ancestrais, algumas da minha família. Por fim, vem o LIMPAR: receitas para higienizar a casa de forma cuidadosa, natural, sem abrasivos químicos – afinal, a gente não se nutre apenas com o ar que respira, tem a ver também com o que colocamos na pele e no corpo. 

Westwing +Bela Gil

Bela traz para o Westwing o seu lifestyle traduzido em uma curadoria de itens escolhidos a dedo para simplificar a nossa relação com o momento de cozinhar, além do seu novo livro.

Fotos por: Daniel Aratangy

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Gabriella Mondroni

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