Burle Marx - Uma vontade de beleza

Arquiteto, paisagista ou artista? Quando se trata de Burle Marx não precisamos de títulos ou rótulos, apenas da lembrança de sua criatividade ilimitada e linguagem única. Na exposição “Burle Marx: uma vontade de beleza”, em cartaz na Pinacoteca de São Paulo, você poderá conhecer novas facetas de seu talento.

Retrato de Burle Marx.
Foto © Divulgação

Dos jardins às telas

Burle Marx estaria completando 106 anos e o legado que deixou é incalculável. Nascido em 1909 na cidade de São Paulo, ele era apaixonado pela qualidade estética da flora brasileira. Por isso, se destacou com projetos paisagísticos e mais de 2 mil jardins que transformaram o urbanismo de diferentes cidades como Recife, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, entre outras.

Mas a ideia de Giancarlo Hannud, curador da exposição, foi colocar os holofotes em um outro potencial de Burle Marx: as artes plásticas.

Exposição de Burle Marx na Pinacoteca.

“Normalmente, as mostras focam na atuação dele como paisagista. Percebi que seria muito mais interessante fazer uma exposição colocando a pintura como ponto central”, explica.

Para começarmos esse passeio, vale a pena entender um pouco sobre a visão artística de Burle Marx. Ele refletiu:

Obras artísticas de Burle Marx.

Razão, emoção e abstração

No final da década de 20 Burle Marx foi morar em Berlim e teve contato com movimentos vanguardistas, conhecendo grandes trabalhos como o de Picasso e Van Gogh. Isso influenciou em suas próprias obras e, curiosamente, foi na Alemanha que o interesse pela flora brasileira germinou.

Quadros de Burle Marx.

Ao fundo de suas pinturas percebemos uma estrutura bem definida. A partir dela, a natureza e as formas livres são trabalhadas, já apresentando características do estilo abstrato. No final, a cor organiza todo o contexto da obra. É a razão e a emoção entrando em conflito e, invariavelmente, se reconciliando.

Retrato de Gene Berendt Burle Marx

Joias, tapeçarias e azulejos

Na Pinacoteca é possível conferir o olhar múltiplo de Burle Marx, que gostava de criar independentemente da plataforma. Azulejos decorativos, tapeçarias e até mesmo joias surpreendem os visitantes. Estas últimas eram feitas em parceria com o irmão e, depois, se tornaram o presente que o governo brasileiro oferecia às visitas oficiais.

Azulejos decorativos e joias feitas por Burle Marx.

“O que o movia era a curiosidade pelo mundo. Se ele um dia acordasse sem querer aprender mais nada poderia morrer, porque não valia mais a pena. Acho que essa curiosidade é o que movia seu trabalho. Assim, Burle Marx não se limitava a projetar um jardim e fazia também a pintura, as joias e a tapeçaria. Tudo era interessante para ele que sentia esse desejo de criar, essa vontade de beleza” conclui o curador Giancarlo Hannud.

Giancarlo Hannud, curador

Mais informações:

Data: Até 22 de março
Horário: De terça a domingo das 10h às 17h30 | Às quintas até às 21h30
Endereço: Pinacoteca do Estado de São Paulo – Praça da Luz, 02
Entrada: R$ 6,00 | Quinta-feira: grátis após às 17h | Sábado: Grátis

Fotos © Ramanaik Bueno

Priscila Silvério

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